Panamericano Toronto 2015 – Então é assim: “game is over, and now”?

Olá, pessoal. Conforme havia prometido, vou continuar a lhes contar sobre a minha experiência aqui nos Jogos Panamericanos de Toronto. São quase 2 horas da manhã do dia 26 de julho e não consigo dormir de tanta coisa boa que aconteceu no dia de meu aniversário, ontem. Por estar distante da família e para não sentir muitas saudades, procurei preencher meu dia com dois shifts (escalas), trabalhando o dia todo nas finais do Handebol, e não podia ter sido melhor.

Logo cedo recebi de meus novos amigos canadenses uma caixa cheia de bolinhos, com uma velinha acesa. Cantaram parabéns em inglês, francês, espanhol e até em italiano (muito engraçado) e para terminar, os meninos da nossa seleção de Handebol conseguiram a Medalha de Ouro em uma disputada e emocionante final. De arrepiar e eu estava lá, trabalhando, sofrendo, curtindo e me divertindo.

Os bastidores de um evento deste porte nem sempre são um mar de rosas e, desta vez, tendo um olhar mais crítico, confesso que algumas coisas me preocupavam muito até o início do Pan. Mas nestes tempos modernos, com a utilização das redes sociais, tudo fica mais tranquilo.

Mascotes do Pan
Mascotes do Pan

Assim que fomos selecionados, foi criado um grupo de Facebook onde os voluntários poderiam obter maiores informações do evento e começar a se conhecer. Outros “filhotes” deste grupo surgiram para cada Venue (arena de trabalho) e, como éramos um grupo de brasileiros que já trabalhamos em outros eventos no Brasil, tínhamos o nosso próprio grupo, além do “zapzap” que foi de grande utilidade para que nos ajudássemos até a chegada à cidade dos Jogos.

Muita informação rolou e, bem próximo ao evento, com todo mundo já embarcando, surgiu uma grande questão:Muitos estavam com os nomes escritos no sistema do Pan de forma diferente do que está nos passaportes, que seriam os documentos válidos para os estrangeiros retirarem as credenciais e sem os quais o “security check” não libera a credencial. Houve quem tivesse que esperar praticamente uma semana para fazê-lo e tive o mesmo problema com a companhia aérea, pois em quase todos os formulários, temos os campos Name, Middle Name and Surname e, se você preenche diferente do que consta do passaporte, possivelmente terá problemas.  Como já estava atenta a tudo isso, liguei para o call center da organização e fiz a minha alteração do Brasil com tempo suficiente para realizarem as mudanças. Fica a dica.

Tudo resolvido, chegamos a Toronto e começamos a nos comunicar Aqui tem “Internet free” praticamente em todo lugar e apsar de nem sempre serem redes seguras, dá para usar tranquilamente para funções básicas de um celular.

No primeiro dia conheci Dani Castro, brasileira, baiana, que mora em Toronto, voluntária da credencial. Foi ela quem nos ajudou na verificação dos nomes e nas primeiras dicas de como nos locomovermos pela cidade que, por sinal, é muito fácil. Há duas linhas de metrô interligadas, muitos charmosos streetcars (estilo bondinhos elétricos), ônibus e trens. Com a credencial em mãos, tivemos acesso livre a todos durante o Pan: era só mostrar que estava liberada a viagem. Não precisava de cartão, ninguém ficava olhando nada, na maior confiança. E ainda os motoristas nos agradeciam, cultura canadense de respeito ao voluntariado.

Quando recebemos os uniformes em sessão agendada previamente, ganhamos um kit com duas camisetas, boné, mochila, agasalho impermeável, e alguns brindes de patrocinadores. Não recebemos calça nem tênis e o comitê exigia que usássemos calça preta ou escura sem ser jeans, sem grife aparente, bem como tênis preto ou cinza. Já nos treinamentos percebemos que seria impossível controlar isso pois, os próprios canadenses estavam usando shorts e sapatos, sandálias, tudo diferente. Mas, ainda assim, como boa respeitadora das regras, acabei vestindo o uniforme adequadamente, até o momento em que sucumbi à necessidade de caminhar de casa até minha Venue para me exercitar , porque trabalhava muito tempo sentada, e passei a usar meu melhor tênis, o mais colorido possível. Como ninguém falou nada, passou a ser meu sapato oficial.

Dentre os brindes do uniforme estava uma entrada para o ensaio oficial da Cerimônia de Abertura dos Jogos. Combinamos de nos encontrar e nos conhecer pessoalmente em frente ao Aquário de Toronto, onde fica o Rogers Center (palco da abertura e casa do time de Baseball Blue Jays) e a CN Tower, e assim fizemos. Já nos entrosamos e assistimos ao show em grupo.

No dia seguinte, assistimos à Cerimônia Oficial de Abertura na Nathan Phillips Square, onde havia um dos locais de PANAMANIA, a Fun Fest daqui. Dois palcos de show, muitos telões, um local fechado para consumo de bebidas alcoólicas, várias tendas de parceiros do evento fazendo as mais diversas atividades e distribuindo brindes para o público. Obviamente, não poderia faltar, uma Mega Store com os produtos exclusivos do Pan, muito caros para nossos bolsos. Praticamente em todos os lugares de competição havia uma loja destas e pelo menos quatro praças de Panamania. Downtown ficou agitadíssima.

Iniciada minha participação após quatro dias de passeios turísticos pela cidade, fui totalmente relaxada para o treinamento presencial porque ali é que conheceria realmente minha função. Para minha surpresa, havia gente no nosso grupo que nunca havia visto handebol na vida, inclusive um dos coordenadores. Entrei em choque: como vamos fazer estatística sem que a pessoa tenha noção do jogo? Pois é, aconteceu. E como a “Alma Voluntária” fala sempre mais alto, “arregaçamos as mangas, tomamos as rédeas” de tudo e acabamos dando conta do recado.

Acredito que uma das partes mais importantes do evento seja o treinamento presencial e, infelizmente, foi um ponto bem “down aqui. Tivemos que lidar com um sistema complexo, com pessoas inaptas e isso fez que o resultado não fosse o desejado para um evento internacional deste porte. Além do mais, as estatísticas de jogo são coisas sérias pois delas surgem pesquisas, feedbacks aos técnicos e atletas sobre seu desempenho, etc, e isso jamais poderia acontecer em um Panamericano.

O tratamento dado aos voluntários foi o básico dos básicos: “Ok, você se candidatou, está aqui, pode ir trabalhar, muito obrigada, esperamos que tenha gostado”.  Havia um centro de descanso onde tudo acontecia: fazíamos check in na sala ao lado e nos encontrávamos com os líderes para distribuição de tarefas no Break Room.

Uma das arenas dos Jogos Panamericanos de Toronto 2015
Uma das arenas dos Jogos Panamericanos de Toronto 2015

Neste mesmo local, tomávamos as refeições (péssimas no início, mas que foram melhorando um pouco depois). Havia uma bancada com café, leite e chá à vontade, e só. Para quem trabalhou na Copa, tínhamos jogos como tênis de mesa, air table, pufs para tirar uma soneca, computadores com acesso livre, etc, o que promovia maior intercâmbio e convivência alegre entre os voluntários, líderes e até chefes de departamentos. Aqui, este lado foi zero.

Por outro lado, na Arena de Handebol, conheci muitas pessoas e por falar português, inglês e espanhol, consegui me comunicar com quase todos do meu setor. Fiz muitas escalas dobradas — éramos poucos e muitos moradores locais tinham seus compromissos — então, em muitos dias passei o tempo todo no Exihibition Centre. Nos intervalos entre os períodos de jogos (dois por período), ia para a Panamania, tomava um pouco de sol, tomava sorvete gratuito oferecido pelo banco patrocinador e tentava ver as apresentações daquele momento. Tudo muito lindo, louco e altamente diversificado em um banho de cultura.

O Exihibition Centre é um pavilhão que acolheu o Volleyball , o Handball, Squash e depois Racquetball. Enorme, limpo e com ar condicionado a mil (muitos dias passei frio dentro enquanto o sol queimava todo mundo lá fora), com os banheiros sempre impecavelmente limpos e cheirosos, por incrível que possa parecer.

A área também contava com muitos cestos de lixo seletivo, mas deixou um pouco a desejar na pouca quantidade de bebedouros, na sinalização confundindo os torcedores que não sabiam para onde ir e o controle de acesso. Havia somente uma entrada para todas as competições daquele pavilhão e, principalmente nos jogos de volleyball, quando o público era maior, formava-se uma fila muito grande. A organização dizia que era uma questão de segurança.

Eles devem ter seus motivos, porém ao chegarmos para o trabalho, passávamos por uma revista nas mochilas e pelo raio-x manual, o que é um procedimento normal em todo evento também, mas aqui era bem menos radical e só não entrava garrafa com líquido — provavelmente para evitar consumo de álcool –. Mas até pau de selfie e guarda-chuva, podia.

Ponto totalmente OUT foi a transmissão televisiva para cá e para o Brasil. Não havia cobertura de todos os esportes e aqui no Canadá só víamos competições onde os donos da casa estavam se sobressaindo. Péssimo.

Nos bastidores tudo era festa e podíamos tirar foto e filmar, o que geralmente é proibido aos voluntários. Até os policiais daqui pousam para fotos com os turistas.

Toronto celebra os Jogos Panamericanos de 105
Toronto celebra os Jogos Panamericanos de 105

Enfim, foi um evento realizado em toda sua totalidade, com prós e contras. Acho que a parte cultural do Canadense de respeito às individualidades fez com que houvesse maior flexibilidade com relação às regras de comportamento e nós, brasileiros, podemos confundir isso com um certo “desleixo”. O importante é que tudo deu certo e  a população local, que não aceitava inicialmente o evento, acabou participando e ficaram com gostinho de “quero mais”.

Certamente vou aproveitar muito de tudo mais que vivi por aqui em minhas próximas experiências profissionais, e já chegarei a São Paulo munida de toda energia para continuar minhas aventuras, agora com as gestantes do Lar Meimei e com os Voluntários Selecionadores da Rio2016.

Amei a cidade, amei trabalhar aqui e continuo amando meus novos amigos voluntários que, sem dúvida, viveram momentos incríveis nestes Jogos Panamericanos 2015.

Panamericano Toronto 2015 – Voluntária Brasileira em Terras Canadenses

Quando o trabalho e prazer se transformam em experiência de vida.

Após vinte e cinco anos de experiência como Professora de Educação Física e tendo trabalhado nos mais diversos setores que esta carreira abrange, resolvi apostar em uma nova, porém, não desconhecida atividade, e aproveitar o conhecimento técnico adquirido ao longo desses anos para me relançar no ramo de eventos esportivos.

Até 2010 tudo o que estava por acontecer no Brasil parecia muito promissor e distante, e foi então que voltei aos bancos escolares e me especializei em Gestão de Projetos Culturais e Organização de Eventos. Encontrei no voluntariado a forma de aplicar os mais recentes conhecimentos e formar uma nova rede de contatos, o que possivelmente abriria portas para ingresso neste mercado de trabalho.

O melhor é que gostei da ideia e apesar de muita gente achar que “trabalho voluntário é coisa de otário”, tenho vivido experiências únicas e conhecido pessoas incríveis pelos caminhos da vida, o que só faz com que me sinta útil e feliz. Como Voluntária (sempre com V Maiúsculo) em eventos internacionais em nosso país, hoje, depois de cinco anos, estou em Toronto, Canadá, como voluntária dos Jogos Panamericanos de 2015, vivendo esta experiência não só encantadora, como mágica!

Vou contar para vocês, então, um pouco de como é isso:

Posso dizer que já estou me tornando “PHD” em voluntariado pois participei do Campeonato Mundial de Handebol na Arena Ibirapuera, Copa das Confederações FIFA em Brasília e Copa do Mundo FIFA na Arena São Paulo. Hoje participo de um grupo de apoio a gestantes carentes, sou Diretora de Eventos da Federação Paulista de Handebol e já estou trabalhando com os Voluntários Selecionadores da Rio 2016.

Em cada um destes eventos exerci funções distintas, o que muito têm contribuído para o desenvolvimento de novas habilidades. Para todos os eventos internacionais temos que passar por processos de seleção e treinamentos, daí a importância de se ter um bom nível de formação geral pois, na maioria das vezes, isso é o que determina seu posto de trabalho.

Um ponto crucial a ser explorado é a fluência em idiomas. Apesar de ler e escrever bem em inglês, meu nível de conversação era sofrível pois tendo problemas de audição. Para mim era muito difícil a distinção de alguns sons e, com isso, o entendimento de muitas palavras. Tomei a providência de colocar um aparelho auditivo, voltei a praticar com mais frequência o inglês e comecei a estudar espanhol, já visando os Jogos Panamericanos de Toronto e Olímpicos do Rio.

Para chegar a este Pan, tive alguns momentos “up, down, in, out, over“. Ou seja, aconteceu de tudo e se não fosse por persistência, determinação e muita, mas muita força por parte de meus familiares, talvez não estivesse aqui agora.

Começando pela seleção. Como sempre, nos inscrevemos no site da organização oficial do evento aproximadamente um ano antes do seu início. A partir deste momento e com o processo iniciado, começamos a receber mensagens com instruções de todas as etapas a serem vencidas.

Depois de selecionado, começam os treinamentos online, com entrevistas presenciais ou não (para Toronto foi uma entrevista gravada em inglês) e mais cursos específicos com testes para que possamos ser alocados em uma das áreas para as quais nos aplicamos.

Aidê ao lado do mascote dos Jogos Panamericanos de Toronto 2015
Aidê ao lado do mascote dos Jogos Panamericanos de Toronto 2015

Depois de todo este processo, recebemos um convite a ser aceito ou não, com o cargo a desempenhar, e posteriormente a escala de trabalho. No meu caso específico, foi a primeira crise de “out” por que passei: assim que recebi o e-mail dizendo que seria “Team Host – Handball Crew” , vibrei muito porque esta função me deixaria mais uma vez, próxima aos atletas, no local de competição, posto exatamente para o qual me candidatei em primeira opção e vinha me preparando para exercer.

O passo seguinte, já seria mais decisivo porque, uma vez aceito o trabalho, começaria a etapa de planejamento, solicitação de visto canadense e gastos financeiros.

Na maioria dos eventos o voluntário recebe apenas o uniforme, alimentação durante a escala de trabalho e transporte local. Desta forma, comprei minha passagem aérea internacional com seis meses de antecedência porque usaria milhagens do cartão de crédito e precisaria garantir os voos de ida e volta, uma vez que o Pan coincidiria com as férias escolares no Brasil.

Além disso, teria que reservar alguns dias para treinamento presencial que sempre antecedem os inícios de trabalho no local do evento. Também comecei a procurar hospedagem e assegurei um quarto em um Hostel, com possibilidade de cancelamento sem cobrança de taxa para o de caso conseguir algo melhor e mais barato.

Contagem regressiva oficial em Toronto. (foto de Open Grid Scheduler em https://www.flickr.com/photos/opengridscheduler/17368414153/ )
Painel da contagem regressiva oficial em Toronto. (foto de Open Grid Scheduler em https://www.flickr.com/photos/opengridscheduler/17368414153/ )

Passados alguns meses, recebi um e-mail alterando minha função para algo que nem de perto passava por minha cabeça, “Technology – Time and Results Associates Crew – Handball“, ou seja, fazer estatística de jogo de handebol. Tentei falar na organização por diversas vezes para reverter a situação, mas foi impossível. Foi então que resolvi parar tudo e cancelar todos os planos. Nesta hora, vem uma mistura de decepção com desânimo, não querendo desmerecer a disciplina estatística, mas porque pareceu que tudo o que vinha dando tão certo havia sido jogado pelos ares.

Aí entra a importância do “backstage” familiar: meu marido e filhos dando a maior força para eu não desistir, que tudo daria certo e que seria uma nova e gratificante experiência. (Será que eles queriam férias de mim?)

E aqui estou, em Toronto, nos Pan Am Games 2015. Curtindo tudo a milhão.

Na próxima semana vou lhes contar como foi a segunda parte deste desafio maravilhoso.

Loja oficial dos Jogos Panamericanos de 2015 em Toronto (foto https://www.flickr.com/photos/opengridscheduler/17366414834/
Loja oficial dos Jogos Panamericanos de 2015 em Toronto (foto https://www.flickr.com/photos/opengridscheduler/17366414834/
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Logí­stica em megaeventos esportivos

Planejara um megaevento esportivo é muito mais do que decoração, tecnologia e segurança. Fundamental para chamar a atenção da mí­dia e do público é a presença de jogadores e árbitros nessas confraternizações, que depende de um modus operandi especí­fico e detalhado.

í‰ por isso que os atletas da Copa do Mundo 2014 utilizarão uma série de serviços exclusivosa para facilitar o transporte e a acessibilidade: aviões da TAM e da GOL, corredores de í´nibus,a entradas VIP, entre outros cuidados.

Já os árbitros (92, no total) ficarão instalados no Rio de Janeiro, em oito andares do Hotel Windsor. O espaço dispõe dea 450 cí¢meras de segurança para preservar a integridade fí­sica e vigiar possí­veis ofertas dea propina e conta coma uma sala com todas as gravações dos jogos, que poderão ser assistidos em slowmotion para uma melhor análise. A lavanderia, atenta aos prazos e í s semelhanças entre um uniforme e outro, vai ficar de prontidão para que uma vestimenta não seja confundida com a outra e para se assegurar de que todas sejam entregues corretamente. Na hora da viagem, os árbitros utilizarão avião de carreira e transfer de carro oficial.

Simples, pero no mucho. Um errinho e as consequências podem ser bastante graves.

Veja também o concurso que definiu slogans personalizados para os í´nibus das delegações que participam da Copa do Mundo!

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